“Quase 8 anos de banda aprendemos a sobreviver a nós mesmos”. Entrevista com Sammliz – Madame Saatan.

Heavytrash metalhard core, Madame Saatan é mais do que uma simples definição para o rock paraense. A banda formada por Sammliz (voz), Icaro Suzuki (baixo), Edinho Guerreiro (guitarra) e Ivan Vanzar (bateria) é, referência à parte,  um show explosivo com  pegada rock’n’roll.

Madame Saatan

Longe da terrinha, Belém/Pa, a trupe de Sammliz escolheu São Paulo para ganhar um horizonte maior. O som ganhou forma, novas influências e o reconhecimento do público local aumentou.  Neste embalo de  rock, descobertas e som pesado, uma ótima entrevista para o blog  com  Sammliz ( Vocalista ).

Rio, pontes e overdrivres: A cena rocker no Pará cresce cada vez mais do ponto de vista quantitativo. O Madame SaatanEuterpiaCravo Carbono, entre outros, eram as referências musicais da terra em diferentes estilos. Hoje você acredita que falta bandas com qualidade para assumir a expressão e ser, digamos, “a cara da cena”? Repetir uma época em que bandas autorais movimentavam a cena independente com mais empenho, consideradas “cavalos de batalha” do período?

Sammliz: Cada geração vive o que lhe cabe no momento e querer que as coisas funcionem sempre do mesmo jeito é impossível . O ciclo se alterna entre fases boas e outras consideradas nem tão prolíficas, mas o fato é que elas jamais se repetirão. A época de ouro do Waldemar Henrique, o 24 Horas na Praça da República e todas aquelas bandas ícones constarão sempre nas memórias de quem as viveu ou ouviu falar. Faz parte da história do rock paraense. Somos crias desse passado e vivemos a geração citada por você acima junto a Euterpia, Cravo Carbono, Eletrola, Suzana Flag, entre outros. Engraçado que parece que foi há um tempão e fazendo as contas já é mesmo, não é? Como tudo passa rápido… Bem, acho que Belém nunca sofreu carência de banda no que se refere a quantidade, cidade pra fazer brotar banda de rock é essa, mas nem sempre ela é tão fecunda e isso é assim mesmo. Acho que hoje o rock não está isolado, ele faz definitivamente parte da cena cultural no Estado e não acho que faltem bandas com qualidade para dar uma “nova cara” a cena rocker no Pará. Todas são cavalos de batalha em busca de um lugar ao sol, desde as veteranas até as novatas. A “cara da cena” é essa miríade de bandas, artistas, agitadores, produtores, festivais grandes e pequenos, festas e o público novo que vem chegando junto. Vejo muita gente querendo audaciar, fazendo, produzindo e começando a dar a cara pra bater. Da música popular ao rock.

Rio, pontes e overdrives: A mudança para São Paulo, um grande eixo musical e cultural, a proximidade com grandes festivais e uma cena mais fervilhante – quais foram as influências positivas para o som da banda? Qual o reflexo desse choque cultural e a adaptação para um novo público?

Sammliz: As influências positivas vieram exatamente das dificuldades que acompanharam nosso processo de mudança. Mesmo com as portas abertas que tivemos logo na chegada em SP passamos por um período complexo onde tivemos que nos readaptar a nós mesmos vivendo em uma situação nova e por isso estressante. Em relação ao público foi tranquilo já que ele costuma ser sempre caloroso (isso é do público do Brasil mesmo, penso eu). Quanto a influência no som da banda certamente a nova vida o afetou de forma positiva já que naturalmente amadurecemos. Nossas referências musicais de casa vieram conosco no sangue mas obviamente 3 anos em uma nova cidade, vivendo coisas novas, ouvindo e sentindo o que se apresentou tiveram profunda influência.

Rio, pontes e overdrives: Amadurecer, tocar e fazer rock é o desejo de todos os jovens. OMadame Saatan ganha cada vez mais público de novas gerações, fã clube organizado e admiração. Qual seria a lição ou a grande descoberta desse período para manter sempre vivo o Madame Saatan?

Sammliz: Quase 8 anos de banda aprendemos a sobreviver a nós mesmos. Como em qualquer família ou empresa que passa por momentos bacanas, uns nem tanto e outros bem ruins. Jamais será fácil e se estamos nessa missão de fazer música juntos até agora é por que a gente realmente funciona bem como amigos, sócios e companheiros na alegria e na tristeza. Também acho que o bom humor e nosso espírito meio workaholic salvou nossa pequena nação, assim como a sorte de sempre encontrar gente de naipe incrível em nossa jornada que nos ajudaram e ajudam de alguma forma.

Rio, pontes e overdrives: Qual a maior influência, ou entenda como lição, que o Madame Saatan poderia deixar para cena paraense e as bandas autorais?

Sammliz: Não podemos dar lição até porque estamos aprendendo em meio ao processo e que tipo de influência a gente poderá vir, ou não, a exercer em outros que estão na mesma missão em nossa cidade eu realmente ainda não sei. Cada qual traça e vive sua história única. O que posso dizer é que qualquer coisa é possível desde que se trabalhe pra isso com uma dose cavalar de comprometimento. Se vai se jogar de cabeça em um projeto que o faça de verdade ou conviva com uma eterna ponta de frustração a vida toda. Se quer ser músico, ter banda, beleza…. vá! Mas vá com força, tente tudo e da melhor forma possível. Estude, toque com gente melhor que você, conheça, viva o estilo de vida e veja se é isso mesmo. Aprenda a se autoproduzir, aja com honestidade, faça shows como se não houvesse um amanhã, não culpe o governo, não reclame de falta de espaço, falta de apoio e deixe de mimimi. Em suma: se vira, cabôco!

Madame Saatan

Rio, pontes e overdrives: Um novo disco em breve. Quais são as novidades do Madame Saatan com esse álbum?

Sammliz: O disco já foi gravado e está na fase da mixagem. Não deve demorar tanto o lançamento, que acontecerá em Belém, e o que posso dizer sobre o álbum é que ele virá mais pesado.

Edição do texto por Filipe Larêdo.

Novo clip da banda, primeiro single do disco “Homem peixe”, respira, veja:

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